Jul 11

Jul 11

Em alguns dias entrará no ar o site 2.0 do Sarau da Comuna. Esperamos que vocês gostem!

Jul 25

Sua sensibilidade é tocante, seu olhar de cineasta é preciso. Quem assiste ao curta ” Dois aquários”, que já foi exibido inclusive na TV Cultura, vê o talento desse jovem diretor de São Paulo, que tem desenvolvido trabalhos com a LPC, entre outros projetos em andamento.

Três perguntas para Jader Gudin, sobre arte e cinema:

Por que fazer cinema?

O homem necessita de uma expressão subjetiva que lhe permita externar seus sentimentos na tentativa de compreender o mundo à sua volta. Todos têm a necessidade de fazer ou apenas ver interpretações diferentes de mundo. Não seria correto dizer que o cinema é a mais completa das artes, mas certamente ele é capaz de reunir em uma só linguagem: música, dança, fotografia, dramaturgia, literatura; o que particularmente, estimula o querer utilizá-lo como meio de expressão. Além, é claro, do inegável prazer que se tem em manipular o real.

Por que um ” cinema cristão “?

É estranho pensar que a arte deva ser fragmentada em categorias, pois isto seria limitar o potencial que a mesma tem de alcançar a todos. Sendo cristão, não há como o artista desvincular de seu trabalho suas crenças e princípios. Tendo em vista que o homem é um ser integral, isso seria negar a própria existência do seu trabalho.

São no mínimo estranhos os termos “cinema cristão”, “música cristã”, enfim, “arte cristã”. De modo geral, os cristãos partem de um ponto de vista panfletário, a preocupação está em transmitir apenas uma mensagem com respostas prontas, pautadas num olhar fechado em si mesmo, muitas vezes, proselitista. Talvez como cristão, o artista deva assumir sua insignificância frente à vida e permitir-se parar, olhar e questionar.

Há esperança para os artistas cristãos?

O futuro está na reintegração com o mundo em que vivemos, o qual é feitura do Criador. O artista cristão não pode negar sua contribuição, deve, sim, comunicar-se com todos, sugerindo uma possibilidade integral de mudança.

Jul 19

Para quem não sabe, Sarau vem do latim seranus, através do galego serao. Sarau é reunião geralmente noturna, festiva, com poesia e alegria, um concerto musical de noite, dentro de casa , de um Café, um teatro ou qualquer espaço que acolha poetas e outros artistas para celebrar a criatividade uns dos outros.
Um Sarau cristão? Sim , por que não? Aliás, se o Criador nos fez criativos e capazes de fazer poesia e todas as artes, vamos nos incentivar a isso - embelezar e enriquecer as coisas. Desbanalizar a vida. Acordar os nossos olhos para a transcendência e o comum, tão belos: o mundo e a humanidade andam feios. Feios de pecado, feios de individualismo, cheios de não-graça, cheio de …vazio.
Fico com Eugene Peterson: ” os poetas são os melhores amigos dos teólogos . Os poetas são pastores de palavras “.

Viva, então, o Sarau da Comuna, viva toda inicitiva de glorificar a Deus com arte, viva a Beleza da Verdade e a Verdade da Beleza!

Jul 17

Quem leu os livros ” O coração do artista , Walk On - A jornada espiritual do U2 e Cristianismo criativo ” sabe da qualidade do trabalho editorial de Whaner Endo, um batalhador apaixonado pela formação espiritual e cultural do artista cristão. Sua editora, W4Endo, recebeu o Prêmio Aretê de Literatura 2007 ( pelo livro Missão Integral - Ecologia & Sociedade ).

Talento, sensibilidade e amor pelas letras …cristãs!

Leia o que ele disse sobre o Sarau da Comuna na entrevista abaixo.

Gerson


1. Em primeiro lugar , parabéns pela editora e pelos títulos relevantes que você tem lançado, especialmente para os artistas cristãos , sobretudo ” Cristianismo criativo “. Um primor! Por que uma iniciativa como o Sarau da Comuna é válida e merece apoio?

Gerson, obrigado pelas palavras de incentivo, ainda mais vindo de um artista como você. Cara, acho que o Sarau da Comuna é um evento singular e extremamente importante, pois tenho percebido que, como você mesmo disse, existe um grupo de artistas cansado com a mesmice do nosso tempo. O que tem me impressionado é que esse grupo é muito maior do que a gente imagina… Uma igreja relevante é aquela que faz diferença, que participa da matriz cultural do seu povo, que demonstra o seu amor pelo Criador através da criação de obras de qualidade. Acredito que o Sarau da Comuna vai incomodar os acomodados a produzir obras de melhor qualidade. É um oásis no meio do deserto criativo que vemos na igreja nos dias de hoje.

2. Você acredita que há uma nova geração capaz de repetir a influência de nomes como Sérgio Pimenta e Guilherme Kerr, gente que nos formou musicalmente e espiritualmente, ao prezar a forma, não apenas o conteúdo teológico , ou seja, a Beleza, não apenas a Verdade?

Tenho certeza que sim, pois o Espírito Santo que atuou através dos dois é o mesmo que atua hoje, além disso a criatividade está no sangue do brasileiro, não? Sei que os tempos são diferentes e, naquela época a música também era uma forma de contestação e esse aspecto foi perdido nas últimas décadas. A preocupação com o conteúdo, mais do que com a forma é um grande problema, ainda mais hoje quando até o conteúdo que tem sido produzido é um lixo. Ouvi há algum tempo, de um grande teólogo contemporâneo, uma frase um pouco polêmica, mas que eu concordo: “a situação atual da igreja é resultado da preocupação em ganhar almas prá Cristo… Hoje, não precisamos tanto de evangelistas, precisamos, sim de mestres”. Vejo que muito do que tem sido produzido não possui profundidade teológica alguma, ou seja além de não ter qualidade na forma, é totalmente raso no conteúdo. Agora, é importante frisar que uma não exclui a outra, ou seja qualidade na forma e no conteúdo podem conviver, sem problema algum, vide os Pimentas, Guilhermes, Camargos, Borges, Bomilcars, Plaças, dentre outros.

3. Porque o mercado fonográfico ( cristão e secular ) se tornou tão pobre, preguiçoso e medíocre ? ( basta analisar o que tocava nas rádios nos anos 70 e 80 e o que faz sucesso hoje em dia…sem falar no declínio das vendagens …)

Com certeza é reflexo da sociedade atual. Acredito que vivemos um tempo de preguiça intelectual. É a época da indústria cultural. Embora eu não seja nem tão apocalíptico nem tão integrado, como diria Umberto Eco, acho que essa baixa qualidade da produção cultural, não apenas fonográfica, mas também literária é decorrência da preocupação em manter a “massa” anestesiada, sem utilizar uma das maiores bênçãos que o Senhor nos deu, ou seja, nossa capacidade de pensar. Quanto menos contestação melhor… Enquanto continuarmos cantando sobre o quanto eu amo Jesus pelas vitórias que ele me dá sobre o inimigo, deixaremos de cantar o quanto eu o amo simplismente pelo o que Ele é. Enquanto cantamos: obrigado senhor pelas bênção que tu me dás, esquecemos de chorar por aqueles que nada tem… Vejo que muitos líderes pensam da seguinte forma: por que eu vou dar um livro do Schaffer ou do Manning pro pessoal da minha igreja, se posso dar Mary Baxter e deixá-los atordoados com as aberrações teológicas que ela escreveu?

4. Quais são suas mais importantes influências artísticas e musicais?

Bom, nas artes plásticas gosto muito de um pintor holandês: MC Escher (não é funkeiro, rs…) e do xilogravurista J.Borges, uma figuraça que conheci pessoalmente, há alguns anos na Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, o maior evento de desenvolvimento do hábito da leitura no Brasil. Musicalmente sou bem eclético. De MPB ouvi muito Ivan Lins e Djavan, embora na minha juventude eu era mais rock and roll e tocava muito Dire Straits, Beatles, Genesis, Marillion, Queen, Van Halen, Steve Vai, Joe Satriani, Legião Urbana, 365… Hoje em dia to numa época instrumental brazuca: tenho ouvido bastante Hamilton de Holanda, Yamandú Costa e Jacob do Bandolin. Além disso, gosto muito de jazz, tb. Miles Davis, John Coltrane e Billie Holiday são meus preferidos. De música cristã, gosto muito do Jorge Camargo, Gerson Borges, João Alexandre e, dos novatos, Glauber Plaça.

5. Que CD não sai do seu player e que livro não sai da sua cabeceira?

Ultimamente, alguns CDs que já estão quase furando são: El negro Del Blanco do Yamandú Costa e Paulo Moura, Brasilianas do Hamilton Holanda Quinteto e Corinne Bailey Rae que tem um timbre de voz muito parecido com a Billie Holiday… Como editor, leio vários livros ao mesmo tempo… Atualmente estou lendo (e gostando muito): O negócio dos livros do André Schiffrin publicado pela Casa da Palavra, um dos grandes editores americanos e que mostra no que vai dar esse movimento de concentração que está ocorrendo no mercado editorial brasileiro, principalmente com a chegada das grandes corporações de mídia internacionais; The Dangerous Act of Worship do Mark Labberton que afirma que se nossa adoração não passa pela justiça social, algo está errado (a W4 Editora vai lançar esse livro, quiçá ano que vem); A espiritualidade na prática do Paul Stevens, publicado pela Ultimato e Como os pinguins me ajudaram a entender Deus do Donald Miller, publicado pela Thomas Nelson Brasil. Dos livros que li há algum tempo, um que achei sencasional foi o Ensaio sobre a cegueira do Saramago, publicado pela Cia das Letras.

6. Por que a arte cristã, ou a arte de temática cristã, não atinge mais o meu secular ( como Bach e Rembrandt fizeram no passado, para dar um exemplo ).

Acho que é resultado do egoísmo da Igreja. Todo problema social decorre do simples fato de que as pessoas passam a pensar mais no individual do que no coletivo. Acho que com a Igreja aconteceu a mesma coisa… Passamos a nos preocupar com nós mesmos e nos esquecemos da sociedade. Nos preocupamos se estamos crescendo e construindo mega-templos e nos esquecemos daqueles que não tem onde morar… Não nos importamos mais se somos sal e luz na terra, mas sim se nossos banquetes estão bem temperados e nossos castelos bem iluminados. A igreja deixou de ser relevante na matriz cultural quando se fechou para o mundo. Nossa mensagem hoje é pregada para os próprios crentes, em vez de ser pregada para o mundo. Lembro de John Wesley que afirmou que o mundo era sua paróquia. Acho que esquecemos que o mundo é que é o nosso palco, galeria, teatro… E, se lembrassemos disso, teriamos de mudar tanto a forma quanto o conteúdo da maioria do que tem sido produzido. Um dos grandes pesquisadores do Pensamento Comunicacional Latino-americano, Jesus Martin Barbero trabalhou muito o conceito das mediações culturais, ou seja, o processo de comunicação só será eficaz se levarmos em consideração as mediação do nosso entorno, ou as influências culturais, economicas, sociais que existem entre o emissor e o receptor… Temos que nos preocupar com o dia-a-dia do povo para poder comunicar a mensagem que temos, e que pode salvar o mundo! Donald Miller afirma que a maior armadilha do diabo não é nos levar a fazer o mal, mas nos fazer perder tempo. Temos perdido tempo, nos fechando em nós mesmos e esquecendo do mundo.

7. Para terminar, uma frase que define a paixão da sua vida…

Não sei se uma frase, mas um pensamento: Na vida, tudo é relacionamento. Por isso, devemos cuidar do nosso relacionamento com Deus, com nossa família e com nossos amigos, pois afinal de contas a vida só vale por causa do amor que trocamos com Deus, família e amigos.

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